top of page

Lindolfo Alves Neto é socioproprietário da empresa Yacows, suspeita de supostas práticas ilícitas durante pleito

​

Em depoimento prestado nesta quarta-feira (19), na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, no Senado, o empresário Lindolfo Antônio Alves Neto afirmou que a AM4, agência de publicidade que fez a campanha de Jair Bolsonaro, utilizou a plataforma da empresa Yacows – da qual Alves Neto é socioproprietário – para disparo de propaganda eleitoral via WhatsApp.  

Após um questionamento feito pelo deputado Rui Falcão (PT-SP), o empresário disse que o pacote adquirido pela campanha de Bolsonaro teria custado R$ 1.680. “Ele contratou a BookService, num plano de 20 mil disparos, envios de mensagens, no qual utilizou apenas 900”. O depoente negou que a empresa tenha feito divulgação de fake news na ocasião.   

Especializada em marketing digital, a firma é uma das suspeitas de participação em um esquema criminoso denunciado pelo jornal Folha de S. Paulo logo após as eleições de 2018. A reportagem dizia respeito à utilização de dados fraudulentos, como nomes e CPFs não autorizados, para registro em aplicativos de mensagens e posterior articulação de disparos em massa de conteúdos falsos em benefício de políticos. Por esse motivo, Alves Neto foi convidado para prestar depoimento na CPMI nesta quarta-feira, após requerimento apresentado por Rui Falcão.  

Questionado por mais de uma vez pelos parlamentares se aceitava a quebra dos seus sigilos – bancário, telemático e outros –, o empresário negou, afirmando que estaria seguindo orientação do seu advogado, José Caubi Diniz Junior, que o acompanhou durante o depoimento.

Na ocasião, ele disse também que a companhia teria prestado serviços de forma indireta para a campanha de Fernando Haddad (PT). Ao ser interpelado pela relatora da CPMI, deputada Lídice da Matta (PSB-BA), sobre possível relação da empresa com serviços prestados a alguns dos candidatos a presidente da República, ele afirmou que Henrique Meireles (MDB), Haddad e Bolsonaro constavam em sua lista de serviços no período. 

 

O que se discutiria era se o conteúdo desses disparos se caracteriza como propaganda eleitoral de cada candidato ou como uma propaganda contra outro candidato por meio de mentiras.

 

“Fernando Haddad é um caso específico porque uma agência, que eu acredito que faça campanha para ele, já utilizava a plataforma e utilizou a nossa ferramenta, então, diretamente não foi feito. Indiretamente, sim”, pontuou Alves Neto, sem nomear qual seria a companhia e mencionando que a Yacows lida com diferentes empresas por meio de terceirização de serviços.  

A relatora sublinhou que o convite para que a companhia se manifestasse junto à CPMI foge ao trabalho de veiculação de conteúdos em si.

“Queria deixar claro que a empresa não está sendo investigada pelo seu tipo de negócio. Os disparos, como um negócio, não são proibidos no Brasil. Nem na ultima eleição era proibido. O disparo coletivo era absolutamente permitido, desde que constasse na prestação de contas de cada candidato”, frisou a pessebista, acrescentando que o alvo das polêmicas sobre esse tipo de situação seria a eventual prática de irregularidades.

Ela afirma que a legislação em vigor determinava que os disparos durante o pleito poderiam ser feitos por cada candidato por meio de um cadastro partidário.

“O que se discutiria era se o conteúdo desses disparos se caracteriza como propaganda eleitoral de cada candidato ou como uma propaganda contra outro candidato por meio de mentiras, difamação, etc.”

​

Crivo de conteúdo

​

Questionado pelo presidente se lembrava de algum conteúdo de mensagens disparadas pela companhia durante o período, Alves Neto negou. “Eu sou executivo, participo de outras empresas e não participo da parte operacional”, disse, numa resposta que gerou manifestações no plenário.   

“O senhor trabalha pras empresas todas que o senhor mostrou aqui, várias empresas, que lhe mandam conteúdo pra que sua empresa faça a divulgação, e o senhor não sabe de nenhum conteúdo delas? Ou seja, se alguém chegasse para o senhor e mandasse divulgar um chip sobre incentivo à pedofilia ou à prostituição, sua empresa iria fazer, já que ninguém faz um crivo pra saber o que vai ser divulgado? Na verdade, o senhor deixou subentender isso”, provocou o presidente da CPMI, senador Angelo Coronel (PSD–BA).  

​

“Quero salientar que eu não fiquei satisfeito com nada do que o nosso depoente falou aqui hoje, mas espero que, ao final do relatório, possamos chegar à verdade”, acrescentou o parlamentar do PSD.

​

Juramento

​

O depoimento também teve como ponto de realce a negativa de Alves Neto em jurar que falaria a verdade durante a sessão na CPMI, um procedimento típico desse tipo de audiência. Segundo ele, a opção se deu porque seu advogado entende que o fato de ele ser alvo da comissão não o obrigaria a dizer a verdade, já que os acusados têm o direito de não produzirem provas contra si. 

​

Edição: Rodrigo Chagas

​

Autor: Bernardo Barbosa.

​

Fonte e imagem: https://www.brasildefato.com.br/

Fonte e imagem: https://noticias.uol.com.br/

© 2019 | José Diniz Advocacia Criminal. Todos os direitos reservados.

bottom of page